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Perda auditiva: tipos, causas e quando é emergência

Nem toda perda de audição é igual, e essa diferença importa muito: há perdas que se resolvem com um procedimento simples e há uma situação que é emergência médica, em que cada dia conta.

Os tipos de perda auditiva

O som percorre um caminho até virar informação no cérebro: entra pelo ouvido externo, é transmitido pelo ouvido médio e transformado em sinal nervoso na orelha interna. Onde esse caminho é interrompido define o tipo de perda, e o tipo define o tratamento.

Perda condutiva

O som não chega direito à orelha interna. A origem está no ouvido externo ou médio, como rolha de cera, perfuração do tímpano, presença de líquido atrás do tímpano ou alteração dos ossículos. É frequentemente tratável, e em muitos casos reversível.

Perda neurossensorial

A orelha interna ou o nervo auditivo estão comprometidos. Entram aqui o envelhecimento da audição, a exposição a ruído, causas genéticas e algumas doenças. Quando já está instalada, costuma ser permanente, o que torna a prevenção e o diagnóstico precoce especialmente importantes.

Há uma exceção que muda tudo: a perda auditiva súbita, que também é neurossensorial, mas pode recuperar quando o tratamento começa cedo. Por isso ela é tratada como emergência, e não como algo para acompanhar.

Perda mista

Combina os dois mecanismos, com componentes condutivo e neurossensorial ao mesmo tempo.

Sinais de que a audição mudou

Em criança, os sinais são outros: atraso para falar, não reagir ao chamado, trocar sons parecidos ou baixo rendimento escolar. Toda criança tem direito ao teste da orelhinha ao nascer, e qualquer suspeita depois disso merece avaliação, sem esperar "ele fala quando quiser".

A perda auditiva costuma se instalar devagar, e quem convive com ela raramente é o primeiro a perceber. Com frequência quem nota é a família. Se isso já foi comentado com você mais de uma vez, vale avaliar.

Perda auditiva súbita é emergência

Se você perdeu audição de forma súbita, principalmente em um só ouvido, procure atendimento imediatamente. Não espere para ver se melhora sozinho. Procure avaliação sem demora também nestes casos:

O que fazer hoje, na prática: procure um otorrinolaringologista no mesmo dia. Se não conseguir, vá a um pronto atendimento e diga com essas palavras que perdeu audição de repente em um ouvido, para não ser encaixado como caso de rotina. Leve a informação de quando começou, se veio com zumbido, tontura ou sensação de ouvido cheio.

O que não fazer: não tente desentupir com hastes de algodão, jatos de água ou velas de ouvido, não use gotas por conta própria e não espere o fim de semana passar. Atenção a um detalhe que engana muita gente: a perda súbita quase sempre parece um simples ouvido entupido ou tampado, muitas vezes com zumbido junto. É exatamente por parecer inofensiva que ela é deixada para depois.

O tratamento é mais eficaz quanto mais cedo começa, e os primeiros dias são os mais importantes, de preferência dentro das primeiras 72 horas. Se já se passaram alguns dias ou algumas semanas, procure mesmo assim: ainda pode haver o que fazer, e só a avaliação define isso. O que não ajuda é esperar mais.

Como é feita a avaliação

A avaliação combina história clínica, exame do ouvido e testes de audição, que medem o quanto e em quais frequências existe perda, e ajudam a diferenciar o tipo. É esse conjunto que orienta a conduta.

Tratamento conforme o tipo

O que protege a sua audição

Perguntas frequentes

Perda auditiva tem cura?

Depende do tipo. Perdas condutivas, causadas por rolha de cera ou alterações do ouvido médio, com frequência são tratáveis e reversíveis. Perdas neurossensoriais, quando já instaladas, costumam ser permanentes, e nesse caso o tratamento foca em reabilitar a audição e em reduzir o que pode agravar o quadro, como exposição a ruído. Existe uma exceção importante: a perda súbita, que pode recuperar quando tratada cedo. Quem define é a avaliação médica individual.

Perdi audição de repente. Posso esperar para ver se melhora?

Não. Perda auditiva súbita, principalmente em um só ouvido, deve ser avaliada imediatamente. O tratamento é mais eficaz quanto mais cedo começa, e os primeiros dias são os mais importantes, de preferência dentro das primeiras 72 horas. Se já se passaram alguns dias ou algumas semanas, procure mesmo assim, porque ainda pode haver o que fazer. Adiar para "ver se desentope" é o que mais faz gente chegar tarde demais nesse quadro.

Cera de ouvido pode causar perda de audição?

Pode, quando obstrui o canal. É uma causa comum e geralmente reversível com a remoção feita por profissional. Tentar remover em casa costuma piorar: hastes de algodão empurram a cera para dentro, velas de ouvido não têm eficácia comprovada e podem causar queimadura, e lavagem por conta própria é perigosa em quem tem perfuração do tímpano ou cirurgia prévia de ouvido. Além disso, ouvido tampado nem sempre é cera, e essa é uma confusão que já fez gente perder tempo em quadro urgente.

Fone de ouvido causa perda auditiva?

A exposição repetida a som intenso, inclusive por fones em volume alto, é um fator de risco conhecido para perda auditiva e zumbido. O dano é cumulativo e costuma ser silencioso no início. Reduzir volume e fazer pausas é uma medida de proteção simples.

Aparelho auditivo é sempre necessário?

Não. A indicação depende do tipo e do grau da perda e do impacto na sua vida. Quando há perda neurossensorial que atrapalha a comunicação, a reabilitação da audição costuma ser recomendada. Muita gente relata que o zumbido também incomoda menos depois disso, ainda que o efeito varie de pessoa para pessoa.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação individual.

Avalie sua audição com um especialista

A Dra. Anastácia Soares é otoneurologista e otorrinolaringologista em Aracaju/SE, CRM-SE 5077, RQE 4608, dedicada a investigar a causa do seu sintoma e definir o tratamento adequado a cada caso.

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Saiba mais sobre a Otoneurologia, os sintomas investigados e o tratamento. Veja também: zumbido, doença de Ménière e labirintite.