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Labirintite: por que nem toda tontura é labirintite

"Labirintite" virou o nome popular de quase toda tontura. Mas a palavra descreve uma condição específica, e boa parte de quem chega ao consultório achando que tem labirintite tem, na verdade, outra causa. Entender a diferença é o que abre caminho para o tratamento certo.

O que é labirintite, de fato

O labirinto é uma estrutura da orelha interna que participa de duas funções ao mesmo tempo: o equilíbrio e a audição. Labirintite é a inflamação dessa estrutura, com frequência associada a quadros infecciosos.

Como o labirinto cuida das duas funções, a labirintite costuma se manifestar com tontura acompanhada de alteração auditiva, como diminuição da audição ou zumbido. Esse detalhe é importante: quando existe tontura sem nenhuma mudança na audição, a causa costuma ser outra, e só a avaliação clínica define qual.

Na prática, o quadro costuma reunir vertigem intensa com sensação de que o ambiente gira, náusea e vômito, queda de audição e zumbido do lado afetado, além de insegurança para andar. Com frequência aparece dias depois de uma infecção respiratória.

Por que quase toda tontura recebe esse nome

O termo se popularizou como sinônimo de tontura em geral. O problema é prático, não apenas de vocabulário: causas diferentes pedem tratamentos diferentes. Tratar como labirintite um quadro que é, por exemplo, de vertigem posicional pode prolongar sintomas que responderiam a uma abordagem específica.

Chamar toda tontura de labirintite não é errado por preciosismo. É que o nome certo aponta para o tratamento certo, e a diferença entre um e outro costuma ser grande.

O que costuma ser, quando não é labirintite

Entre as causas mais frequentes de tontura e vertigem avaliadas em Otoneurologia estão:

Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)

É a causa mais comum de vertigem de origem periférica. Ocorre quando pequenos cristais da orelha interna se deslocam para um local onde não deveriam estar. As crises são curtas, em geral de segundos e quase sempre abaixo de um minuto, e são disparadas por mudanças de posição da cabeça, como deitar, virar na cama, levantar ou olhar para cima. O enjoo e a insegurança podem continuar por mais tempo depois que a vertigem passa, o que faz muita gente achar que a crise durou horas. Costuma responder a manobras de reposicionamento feitas em consultório. Vale dizer: a manobra correta depende de identificar qual canal e qual lado estão envolvidos. Repetir em casa um vídeo da internet, sem esse diagnóstico, pode piorar o quadro ou deslocar os cristais para outro canal.

Neurite vestibular

Inflamação do nervo responsável pelo equilíbrio. Provoca tontura intensa e contínua, que pode durar dias, em geral sem alteração da audição. É justamente essa ausência de sintoma auditivo que ajuda a diferenciá-la da labirintite. A avaliação desse quadro também precisa afastar causas neurológicas, porque uma vertigem intensa e contínua pode ter origem fora da orelha. Depois da fase aguda, a reabilitação vestibular acelera a recuperação do equilíbrio.

Migrânea vestibular

Episódios recorrentes de tontura ou vertigem em pessoas com histórico de migrânea, e uma das causas mais frequentes de vertigem que aparece sem gatilho de posição. As crises variam bastante, de alguns minutos a até três dias, e costumam vir com incômodo à luz, ao som ou ao movimento. Sono ruim, jejum e estresse são gatilhos comuns. Nem sempre a dor de cabeça aparece junto da crise, o que costuma atrasar o reconhecimento do quadro.

Doença de Ménière

Cursa com crises de vertigem associadas a perda auditiva que vai e volta, zumbido e sensação de ouvido cheio, quase sempre do mesmo lado. As crises duram de 20 minutos a algumas horas, em geral não passando de 12 horas.

Presbivestibulopatia, o envelhecimento do equilíbrio (também chamada de presbivertigem)

Com a idade, o sistema de equilíbrio perde parte da sua precisão, e o resultado costuma ser insegurança para andar e maior risco de queda, mais do que crises de vertigem giratória. Atenção a um ponto: tontura em pessoa idosa não deve ser atribuída à idade sem investigação. Nessa faixa etária a vertigem posicional é ainda mais frequente, e o uso de vários medicamentos, a queda de pressão ao levantar e alterações da visão costumam somar. Boa parte desses fatores tem tratamento.

Existem ainda outras alterações vestibulares e causas fora da orelha, como quedas de pressão ao levantar, efeitos de medicamentos, alterações da visão e causas cardíacas. Merece menção a tontura postural perceptual persistente (PPPD), uma das causas mais comuns de tontura crônica no dia a dia, que costuma se instalar depois de um episódio agudo de vertigem e é frequentemente confundida com quadro sem explicação.

VPPBNeurite vestibularMigrânea vestibularDoença de MénièrePresbivestibulopatia

Sinais de alerta: procure atendimento imediato

Alguns sintomas, quando aparecem junto da tontura, pedem avaliação de urgência, porque podem indicar uma causa neurológica, como o AVC (derrame), e não um problema da orelha:

Vale um cuidado a mais: um AVC pode se manifestar apenas como tontura forte, sem nenhum desses sinais. Se a tontura começou de repente, é a mais intensa que você já sentiu, não passa depois de algumas horas, ou aparece em quem tem pressão alta, diabetes, colesterol alto, arritmia ou histórico de problemas circulatórios, procure emergência mesmo que nada mais esteja acontecendo.

Nesses casos, procure um serviço de emergência. Não espere pela consulta eletiva.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico começa por uma história clínica detalhada. Interessa saber o que dispara a tontura, quanto tempo cada crise dura, se existe alteração na audição, se há zumbido, e o que costuma acompanhar o quadro.

A avaliação inclui exame clínico e manobras específicas, que ajudam a reproduzir e caracterizar a tontura. Exames complementares entram quando contribuem para confirmar ou afastar uma hipótese, conforme cada caso.

Tratamento

O tratamento é direcionado à causa identificada e pode incluir:

Como as causas são diferentes entre si, a conduta e o tempo de resposta também variam. Por isso a definição do diagnóstico vem antes da escolha do tratamento.

Perguntas frequentes

Labirintite tem cura?

Depende da causa. Quando a tontura vem de uma inflamação passageira, os sintomas costumam melhorar ao longo de dias a semanas, e o tratamento ajuda nesse processo. Quando vem de outra condição, como a vertigem posicional, o tratamento é direcionado a essa causa e a resposta costuma ser rápida. Há um ponto que não pode esperar: se junto da tontura houver queda de audição de um dos ouvidos, a avaliação precisa ser feita em poucos dias, porque nesse caso o tratamento é mais eficaz quanto mais cedo começa. Por isso o primeiro passo é identificar corretamente o que está provocando a tontura. Quem define é a avaliação médica individual.

Quanto tempo dura uma crise de tontura?

Varia conforme a causa. Na vertigem posicional, as crises costumam ser breves e desencadeadas por mudanças de posição da cabeça. Em inflamações do nervo vestibular, a tontura intensa pode durar dias. Na doença de Ménière, as crises costumam durar de 20 minutos a algumas horas. A duração é uma das informações que ajudam no diagnóstico.

Labirintite pode afetar a audição?

Pode. O labirinto participa do equilíbrio e da audição, então uma inflamação nessa região pode vir acompanhada de perda auditiva e zumbido. Já a neurite vestibular, que afeta apenas o nervo do equilíbrio, costuma cursar com tontura sem alteração da audição. Essa diferença é um dos pontos avaliados na consulta.

O que fazer durante uma crise de tontura?

Procure um lugar seguro, sente-se ou deite-se para reduzir o risco de queda e evite movimentos bruscos da cabeça até a sensação passar. Se houver enjoo e vômito, mantenha a hidratação e não dirija. Evite manter por conta própria, por semanas, remédios para tontura: usados por muito tempo sem indicação, eles podem atrasar a recuperação natural do equilíbrio. Se houver sinais de alerta, como fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar, alteração visual súbita ou dor de cabeça muito intensa, procure atendimento de emergência imediatamente.

Preciso fazer exames para descobrir a causa da tontura?

Depende do caso. O diagnóstico começa por uma história clínica detalhada e pelo exame físico, incluindo manobras específicas. Exames complementares são solicitados quando ajudam a confirmar ou descartar uma hipótese. Quem define é a avaliação médica individual.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação individual.

Sua tontura merece um diagnóstico preciso

A Dra. Anastácia Soares é otoneurologista e otorrinolaringologista em Aracaju/SE, CRM-SE 5077, RQE 4608, dedicada a investigar a causa da tontura e definir o tratamento adequado a cada caso.

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Saiba mais sobre a Otoneurologia, os sintomas investigados e o tratamento. Veja também: vertigem, VPPB, zumbido e perda auditiva.