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Vertigem: o que a duração e o gatilho revelam sobre a causa

Vertigem não é só "tontura". É uma sensação específica, a de que você ou o ambiente estão girando. E o padrão dela, quanto tempo dura e o que dispara, é o que mais aponta para a causa.

Vertigem e tontura não são a mesma coisa

Vertigem é a sensação de movimento que não está acontecendo, na maioria das vezes descrita como "tudo girando" ou "o chão rodando". Tontura é um termo mais amplo, que as pessoas usam também para cabeça leve, insegurança ao andar ou sensação de que vai desmaiar.

Essa distinção não é preciosismo. Vertigem verdadeira aponta com mais força para o sistema vestibular, na orelha interna e nas suas conexões. Já a sensação de que vai desmaiar costuma levar a investigação para outro lado, como pressão e coração. Isso não quer dizer que seja menos importante: se essa sensação se repete, vem com palpitação, dor no peito ou falta de ar, ou se você chegou a desmaiar, a avaliação precisa ser rápida.

O que a duração e o gatilho revelam

Duas perguntas costumam organizar o raciocínio mais do que qualquer exame: quanto tempo dura cada episódio e o que dispara.

Antes da consulta, vale anotar: quando começou, quanto dura cada episódio, o que parece disparar, se a audição mudou, e se há zumbido. Essas quatro respostas costumam valer mais que qualquer exame trazido de casa.

Causas mais comuns

Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)

A causa mais comum de vertigem de origem periférica. Cristais da orelha interna se deslocam e passam a estimular o equilíbrio de forma errada em certas posições. As crises duram segundos e são disparadas por movimento da cabeça. Costuma responder a manobras de reposicionamento.

Neurite vestibular

Inflamação do nervo do equilíbrio. Provoca vertigem intensa e contínua, que pode durar dias, em geral sem alteração da audição. A recuperação costuma ser gradual, e a reabilitação vestibular ajuda nesse processo.

Como esse quadro se parece muito com o de um AVC de cerebelo ou de tronco cerebral, a primeira crise contínua e intensa não deve ser esperada em casa. O que separa uma coisa da outra é o exame clínico feito no atendimento, não a intensidade do sintoma.

Doença de Ménière

Crises de vertigem associadas a perda auditiva, zumbido e sensação de ouvido cheio, quase sempre do mesmo lado. No começo a audição costuma piorar na crise e melhorar depois, mas com o passar do tempo ela pode ir ficando reduzida de forma permanente. É por isso que vale investigar cedo.

Migrânea vestibular

Episódios recorrentes em pessoas com histórico de migrânea, e uma das causas mais frequentes de vertigem que aparece sem gatilho de posição. Nem sempre vem com dor de cabeça, o que atrasa o reconhecimento.

Labirintite

Inflamação do labirinto, que afeta equilíbrio e audição ao mesmo tempo. É menos frequente do que o uso popular do termo sugere.

Tontura postural perceptual persistente (PPPD)

Tontura e insegurança que persistem por meses depois que a causa inicial já passou, geralmente pior em pé, andando ou em ambientes com muito estímulo visual, como supermercado e tela grande. Não é frescura nem coisa da cabeça no sentido depreciativo: é um padrão reconhecido, com tratamento definido, e é uma das causas mais comuns de tontura crônica.

Causas fora da orelha

Queda de pressão ao levantar, efeitos de medicamentos, alterações da visão e causas cardíacas também produzem tontura.

Sinais de alerta: procure atendimento imediato

Alguns sintomas, quando aparecem junto da vertigem, pedem avaliação de urgência, porque podem indicar uma causa neurológica, como o AVC (derrame), e não um problema da orelha:

Vale um cuidado a mais: um AVC pode se manifestar apenas como tontura forte, sem nenhum desses sinais. Se a tontura começou de repente, é a mais intensa que você já sentiu, não passa depois de algumas horas, ou aparece em quem tem pressão alta, diabetes, colesterol alto, arritmia ou histórico de problemas circulatórios, procure emergência mesmo que nada mais esteja acontecendo. Não espere pela consulta eletiva.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa por uma história clínica detalhada, seguida de exame clínico e manobras específicas, que ajudam a reproduzir e caracterizar a vertigem. Exames complementares entram quando contribuem para confirmar ou afastar uma hipótese.

Vale saber de uma coisa que confunde muita gente: uma tomografia normal feita na urgência não descarta AVC, principalmente nas primeiras horas e principalmente na região da nuca, que é onde ficam as estruturas do equilíbrio. Por isso o exame clínico bem feito pesa tanto, e um resultado de imagem normal não substitui a avaliação.

Tratamento

O tratamento é direcionado à causa identificada e pode incluir manobras de reposicionamento, reabilitação vestibular, medicamentos quando indicados, orientações sobre hábitos e fatores desencadeantes, e acompanhamento da evolução.

Um ponto importante: remédios para tontura usados por conta própria durante semanas podem atrasar a recuperação natural do equilíbrio. Eles têm papel no alívio da fase aguda, não como solução prolongada. Alguns desses remédios ainda causam sonolência e aumentam o risco de queda, e o uso prolongado, principalmente depois dos 60 anos, pode provocar tremor, rigidez e lentidão nos movimentos. Se você já toma um deles há semanas, leve a caixa para a consulta em vez de suspender por conta própria.

Perguntas frequentes

Vertigem e tontura são a mesma coisa?

Não. Vertigem é a sensação de que você ou o ambiente estão girando. Tontura é um termo mais amplo, que inclui também cabeça leve, insegurança ao andar e sensação de que vai desmaiar. Descrever qual das duas você sente ajuda bastante a direcionar a investigação. Quem define é a avaliação médica individual.

Quanto tempo dura uma crise de vertigem?

Depende da causa. Na vertigem posicional, dura segundos e é disparada por mudança de posição da cabeça. Em inflamações do nervo vestibular, pode ser contínua por dias. Na doença de Ménière, costuma durar de 20 minutos a várias horas, podendo chegar perto de 12 horas. A duração é uma das informações mais úteis para o diagnóstico.

Vertigem pode ser sinal de algo grave?

Na maioria das vezes a causa está na orelha interna e não é grave. Mas vertigem também pode ser manifestação de causa neurológica, incluindo AVC, às vezes sem nenhum outro sinal. Se a vertigem começou de repente, é a mais intensa que você já sentiu ou não melhora em algumas horas, procure emergência.

O que fazer durante uma crise?

Procure um lugar seguro, sente-se ou deite-se para reduzir o risco de queda e evite movimentos bruscos da cabeça até a sensação passar. Se houver enjoo e vômito, tente se hidratar aos poucos e não dirija. Se o vômito não parar e você não conseguir beber água, procure atendimento, porque a desidratação piora a tontura e às vezes é preciso medicação e soro na veia. Se aparecerem sinais de alerta neurológicos, procure emergência imediatamente.

Preciso fazer exames para descobrir a causa?

Depende do caso. O diagnóstico começa por uma história clínica detalhada e pelo exame físico, incluindo manobras específicas. Exames complementares são solicitados quando ajudam a confirmar ou descartar uma hipótese. Vale saber que uma tomografia normal na urgência não descarta AVC nas primeiras horas. Quem define é a avaliação médica individual.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação individual.

Descubra a causa da sua vertigem

A Dra. Anastácia Soares é otoneurologista e otorrinolaringologista em Aracaju/SE, CRM-SE 5077, RQE 4608, dedicada a investigar a causa do seu sintoma e definir o tratamento adequado a cada caso.

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Saiba mais sobre a Otoneurologia, os sintomas investigados e o tratamento. Veja também: labirintite, VPPB e doença de Ménière.