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VPPB: a vertigem que aparece ao deitar ou virar na cama

Se a sua vertigem dura segundos e sempre aparece ao deitar, virar na cama ou olhar para cima, existe um nome provável para isso, e o tratamento costuma ser feito ali mesmo no consultório, com manobras.

O que é a VPPB

VPPB é a sigla de Vertigem Posicional Paroxística Benigna, e cada palavra descreve o quadro. Posicional, porque depende da posição da cabeça. Paroxística, porque vem em crises curtas. Benigna, porque não indica doença grave, ainda que assuste bastante.

Dentro da orelha interna existem cristais microscópicos que ajudam a informar ao cérebro a posição da cabeça. Na VPPB, alguns desses cristais se soltam do lugar correto e caem dentro dos canais do equilíbrio. A cada movimento, eles se deslocam e enviam um sinal falso de rotação.

O cérebro recebe do ouvido a informação de que você está girando, enquanto o restante do corpo e a visão dizem que você está parado. Esse conflito é o que produz a vertigem, e ele também faz os olhos se moverem sozinhos por alguns segundos, o que é exatamente o sinal que o médico procura no consultório.

Como reconhecer

Um detalhe que confunde muita gente: a vertigem em si dura segundos, mas o enjoo e a insegurança podem continuar por minutos ou horas depois. É por isso que é comum a pessoa jurar que a crise durou a tarde inteira.

Como é diagnosticada

O diagnóstico é clínico, feito em consultório. O médico posiciona sua cabeça de maneiras específicas, reproduzindo de forma controlada o gatilho da vertigem, e observa o movimento involuntário dos olhos que aparece nesse momento. A direção e a duração desse movimento indicam qual canal está envolvido e de que lado.

Esses testes têm nome: a manobra de Dix-Hallpike investiga o canal posterior, o mais envolvido, e o teste de rolamento investiga o canal horizontal. Eles são de diagnóstico, não de tratamento. A manobra que trata, como a de Epley, só entra depois que o teste mostrou o canal e o lado.

Sinais de alerta: procure atendimento imediato

Nem toda vertigem disparada por movimento é VPPB. Estes sinais, junto da tontura, pedem avaliação de urgência, porque podem indicar causa neurológica, como o AVC (derrame):

Vale um cuidado a mais: um AVC pode se manifestar apenas como tontura forte, sem nenhum desses sinais. Se a tontura começou de repente, é a mais intensa que você já sentiu, não passa depois de algumas horas, ou aparece em quem tem pressão alta, diabetes, colesterol alto, arritmia ou histórico de problemas circulatórios, procure emergência mesmo que nada mais esteja acontecendo. Não espere pela consulta eletiva.

Tratamento: manobras de reposicionamento

O tratamento consiste em manobras que conduzem os cristais de volta ao local onde não causam sintoma. São movimentos sequenciados da cabeça e do corpo, feitos pelo profissional, sem cortes e sem medicação.

É um dos tratamentos mais satisfatórios da otoneurologia, porque a melhora costuma vir rápido, às vezes na própria consulta. Pode ser necessário repetir a manobra em mais de uma sessão.

Sobre repetir manobras em casa

Vídeos de manobras circulam bastante, e a tentação de tentar sozinho é compreensível. O problema é que a manobra correta depende de saber qual canal e qual lado estão envolvidos, e isso não se descobre por vídeo.

Aplicar a manobra errada pode piorar o quadro, deslocar os cristais para outro canal e transformar um problema simples em um mais difícil de resolver. Há ainda situações de coluna cervical e de circulação em que essas manobras exigem cuidado. O diagnóstico vem antes da manobra.

A VPPB pode voltar?

Pode. A recorrência é parte conhecida do quadro e não significa que o tratamento anterior falhou nem que exista algo mais grave. Quando volta, o caminho é o mesmo: identificar canal e lado, e repor. Em pessoas com episódios repetidos, vale investigar fatores associados.

Quando a insegurança ao andar persiste mesmo depois de a vertigem ter sido resolvida, a reabilitação vestibular costuma ajudar a recuperar a confiança no equilíbrio.

Perguntas frequentes

A VPPB é grave?

A VPPB em si não é uma doença grave, e é daí que vem a palavra benigna no nome, ainda que a crise assuste bastante. O cuidado está em confirmar que a vertigem é mesmo VPPB, porque algumas causas neurológicas provocam vertigem parecida ao mudar de posição. Quem define é a avaliação médica individual.

Quanto tempo dura a crise de VPPB?

A vertigem em si dura segundos, quase sempre menos de um minuto, e aparece ao mudar a posição da cabeça. Em algumas variações pode passar um pouco desse tempo. O enjoo e a insegurança podem continuar por mais tempo depois que a vertigem passa, o que faz muita gente achar que a crise durou horas.

Posso fazer a manobra de Epley em casa?

Não é recomendado sem diagnóstico. A manobra correta depende de identificar qual canal e qual lado estão envolvidos, o que só a avaliação clínica define, por meio de testes como a manobra de Dix-Hallpike. Repetir um vídeo da internet sem esse diagnóstico pode piorar o quadro ou deslocar os cristais para outro canal.

A VPPB volta depois de tratada?

Pode voltar, e isso não significa que o tratamento falhou. A recorrência é parte conhecida do quadro. Quando acontece, o caminho é o mesmo: identificar canal e lado e refazer a manobra adequada.

VPPB precisa de exame de imagem?

Na maior parte das vezes não. O diagnóstico é clínico, feito por manobras em consultório. Exames são solicitados quando há dúvida sobre causa neurológica ou quando o quadro foge do padrão esperado.

Este conteúdo tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento dependem de avaliação individual.

Avalie se a sua vertigem é VPPB

A Dra. Anastácia Soares é otoneurologista e otorrinolaringologista em Aracaju/SE, CRM-SE 5077, RQE 4608, dedicada a investigar a causa do seu sintoma e definir o tratamento adequado a cada caso.

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Saiba mais sobre a Otoneurologia, os sintomas investigados e o tratamento. Veja também: vertigem, labirintite e reabilitação vestibular.